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um gajo & cenas

um gajo & cenas

Salvador, vem amar por nós!


André Valente

04.03.18

Salvador começou tímido, mas não passou despercebido. Logo após ter ganho a final do Festival da Canção 2017, o facebook encheu-se de experts que, por razões que vão para além da minha compreensão, acharam ser necessário criticar o aspecto do rapaz - as roupas largas, o cabelo desgrenhado, os jeitos e tiques que dominaram a sua performance. 

 

Entre comentários absurdos, cheios de dicas de moda, o Salvador lá foi conquistando a Europa, que imediatamente colocou a música dos irmãos Sobral no Top 3, juntamente com um macaco sem piada e um Kristian cheio de talento. Apelidaram-no de Salvadorable.

 

Salvador apresentou-se em Kiev sem estar embonecado como o sueco (péssima música, by the way), sem as notas exageradamente altas da Geórgia ou Albânia, sem um jogo de luzes que pudesse originar uma crise de epilepsia e sem dançarinos/as semi-nus. Não. Salvador vestiu um fato, notoriamente largo, e colocou-se no meio da plateia, com um microfone apenas. O Festival estava ganho desde o primeiro momento em que Salvador cantarolou as primeiras palavras. Uma voz aveludada que encheu cada momento de uma música que marcou pela diferença. 

 

Salvador ouviu-se pelo mundo fora. Um sucesso na América do Sul e, surpresa surpresa, até nos Estados Unidos. Os espanhóis, nuestros hermanos, renderam-se como nunca antes visto. Foi bonito, emocionante, e gritei por um país inteiro. Salvador amou por dois, por onze milhões, pela Europa e, por fim, por todo o Mundo. 

 

Quanto à edição do Festival da Canção de 2018, era expectável ver réplicas do Salvador, não tivesse sido o nosso querido irmão Sobral o vencedor da Eurovisão em 2017. Mas sejamos sinceros: esta edição só serve mesmo para embalar uma pessoa - isto é, se ignorarmos os desafinanços brutais que, parece-me, são uma constante. 

 

A IURD tramou o Piçarra, que não sendo o meu favorito, dava um toque de qualidade à mediocridade deste Festival, que desde o início tem sido mais uma cena do "vou votar no que detesto menos". Abençoada Cláudia, a minha favorita desde o início, com uma voz distinta e que emociona, envolta em peculiariade e acompanhada da Isaura, para um toque de je ne sais quois. Jardim tem umas vibes de To build a home, dos Cinematic Orchestra, e estou rendido a esta delícia de música.

O resto... Bem, Patati Patata fala por si.

 

Mas não desesperemos; se Espanha enviou, orgulhosamente, o Manelito em 2017, autor do magnífico gallo na final da Eurovisão, então nós também nos desenrascaremos. 

Um bem haja.