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um gajo & cenas

um gajo & cenas

Politiquices que me dão comichão


André Valente

05.03.18

O PSD governa Vila Real de Santo António há mais de 12 anos e, em Outubro/2017, voltou a ganhar, apesar da constante perda de votos que se tem verificado. Somos dos concelhos mais endividados do país, ainda que seja dos que mais potencialidades tem em termos de investimento no que a turismo e desporto diz respeito. Eu chamo-lhe o concelho dos "quases", porque tudo o que é iniciado fica a um quase de distância de ser completado, e dificilmente se leva um projecto até ao fim - a não ser que haja algum interesse por detrás, malandros.

 

Sabem, o nosso ex-presidente é artista, digamos que é singer-songwriter para um toque mais internacional. Canta mal e utiliza demasiado autotune, mas o Zé Povinho vai na cantiga e aplaude de pé o fruto de uma óptima edição em estúdio. O dito cujo vai a Cuba (o país, e não a do Alentejo) muitas vezes (o seu parceiro é famoso por aquelas bandas) e, pelos vistos, já esteve também em Miami a gravar uns acordes. Enquanto o munícipio estava enterrado em dívidas, o menino andava a gravar músicas lá pelas Américas, para depois regressar a Vila Real, onde os videoclips foram filmados, e dar concertos de fazer romper os tímpanos. 

 

Juntamente a todo este forrobodó de péssimo gosto que é a situação política do sotavento algarvio, temos também uma grupeta de comediantes! Quando o meu pai os questionou sobre o elevado preço do IMI, tiveram o descaramento de dizer que "viver aqui é um privilégio". 

Ora, privilégio é definido da seguinte forma, de acordo com o Priberam:

 

pri·vi·lé·gi·o
(latim privilegium, -ii, lei de excepção, favor)

substantivo masculino

1. Direito ou vantagem concedido a alguém, com exclusão de outros.

2. Título ou diploma com que se consegue essa vantagem.

3. Bem ou coisa a que poucos têm acesso.

4. Permissão especial.

5. Imunidade, prerrogativa.

6. Qualidade ou característica especial, geralmente positiva



Privilégio é ser-se branco. Privilégio é ser-se Cristão. Privilégio é ser filho do Cristiano Ronaldo. Um privilégio é viver numa penthouse em Nova Iorque, num chalé de montanha nos arredores de Zurique, ou numa vivenda com paredes em vidro à beira de uma falésia. Viver em Vila Real de Santo António não é um privilégio, é um aborrecimento muito grande, salve-se a praia, o sol e cerveja a 50 cêntimos. A não ser, claro, que considerem ser um privilégio viver numa cidade com obras inacabadas, dívidas grotescas, ruas sujas, desemprego e um planeamento urbano de meter medo (não, não é uma favela... ainda).       

 

Avançando... Há uns tempos atrás (sinónimo para No final do Verão passado...), estava eu em Vila Real de Santo António, quando fui chamado, num tom nada carinhoso, de filho da puta, cara de caralho, merdas, porco, estrangeiro, entre outros que nem ouvi. Como seria de esperar, nada disto foi dito na minha cara. Pior; uma senhora, de uma educação estonteante, vomitava insultos sem parar, nas minhas costas e para o seu marido que acenava apenas com a cabeça, enquanto eu conversava descontraidamente com amigos de família sobre o estado de degradação em que a cidade se encontrava.

 

O problema de meios pequenos é que falar pode ser sinónimo de desemprego ou exclusão social, e existe um medo comum a todos quando é necessário criticar o PSD - a PIDE já não existe, mas garanto-vos que as paredes têm ouvidos e ficariam parvos se soubessem a rapidez com que as opiniões anti-governo se espalham.

 

Política não é, nem deveria ser, tabú. Tenho uma cor política vincada, mas em momento algum ofenderei alguém com ideias contrárias às minhas. A troca de diferentes pontos de vista facilita a melhoria do contexto sócio-económico da sociedade, e quando se emprega um política de medo entre a população, então o futuro não é, de todo, sorridente para a cidade. Manifestarei sempre a minha opinião - como tenho feito até ao momento, mesmo antes de sair de Portugal - sem medo de represálias, porque hipocrisia não é bem a minha cena, e a quem não lhe agradar o que eu tenho a dizer pode muito bem virar costas, pois direi Hasta la Vista, baby! com muito prazer. 

Abreijos Londrinos