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um gajo & cenas

um gajo & cenas

Made in Algarve


André Valente

09.03.18

Daquele cantinho esquecido do Algarve, onde se pode encontrar Vila Real de Santo António, mudei-me para Londres. De Londres, fui para a Austrália, durante oito meses, numa espécie de Erasmus, onde terminei o meu segundo ano de Universidade. Regressei a Londres, a cidade onde estou neste momento, para terminar o curso - mais dois meses de sofrimento e voilà, c'est fini

 

Nesta recta final, pouco mais me assusta que o futuro, dado que não faço a mais pequena ideia do que vai acontecer a esta pobre alma, cuja carteira fica mais leve a cada dia que passa. Candidatei-me a Mestrados por esta Europa fora, enviei dezenas de currículos para a Austrália - país para onde me irei pisgar assim que tiver a oportunidade, porque melhor que Down Under não existe neste planeta - e perdi muitas horas de sono imaginando-me a viver debaixo da Tower Bridge ou com os meus pais até aos 40. 

 

Hoje, para bem das minhas olheiras, fui aceite no Mestrado de Investigação em Human Movement Sciences, na VU Amsterdam. Quase, quase chorei quando, durante a entrevista, foi-me dito Welcome to our Institution. Isto por variadíssimas razões. Para começar, era - e é - a minha primeira opção, e quando somos aceites no que queremos é como se ficássemos impossibilitados de controlar as nossas funções mais básicas, tal não é o fresenim hormonal por que passamos. Depois, como não poderia deixar de ser, os meus níveis de auto-estima andam miseráveis, a licenciatura tem destruído o meu ser aos poucos, e não estava nadinha confiante de que ia ser aceite. Por fim, com os nervos à flor da pele e o medo de meter a pata na poça, dei uns tropeções na língua inglesa (mas isto sem problema, eles também esventraram a gramática britânica aqui e ali), tendo, inclusive, dito quantitative research cinco vezes porque guaguejava que nem um parvo e as palavras saíam ou trocadas, ou com uma pronúncia impossível de compreender.

 

Depois de duas viagens a Amsterdão, uma delas marcada por ter comido um space cake que mais parecia esferovite e que custou os olhos da cara, e de ter ficado de queixo caído com a capital holandesa, lá poderei voltar, desta feita enquanto estudante e habitante de Amsterdão, com a liberdade para fazer todos os space cakes que eu quiser e bem entender, em casa, sem que saibam a papelão de má qualidade. 

 

See you later, aligator!