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um gajo & cenas

um gajo & cenas

Furei a orelha


André Valente

14.05.18

Ao acordar, esta manhã, assustei-me com o tamanho desta coisa a que se chama cabelo. Há 6 anos atrás, nos meus teenage years, o conceito de 'cabelo grande' seria diferente do de hoje em dia. Além do mais, amanhã vou passar a tarde a Londres e queria estar minimamente apresentável, sabe-se lá se vou encontrar o amor da minha vida algures no Regent's Park, a aproveitar o sol londrino, ou a passear-se elegantemente em frente do Harrods. 

E assim fiz, saí de casa depois de almoço rumo ao cabeleireiro mais barato da zona - 11 Libras - e que faz um trabalho a roçar o divinal; isto é, para o preço que se paga, claro. Não há cá lavagem de cabelo pré ou pós corte, é tudo à base de água pulverizada no tufo para acalmar a fera. 

Quando saí do barbeiro (na verdade, o nome do sítio é Surbiton Barbers, e não Hairdressers), apeteceu-me fazer algo diferente. Uma tatuagem, claro, mas as que eu quero são caras e as minhas contas bancárias estão destinadas a comida baratuxa e vinho em promoção. Ou até mesmo um date, nunca se sabe quando o tempo perdido no Tinder será recompensado por um match irresistível. 

Sendo assim, fui fazer um piercing na orelha. Decidi, naquele instante, que queria um brinco. Porquê?, alguns perguntarão. Porque não?!, respondo. Afinal, o brinco só daqui a duas semanas, pelos vistos isto tem que sarar primeiro, mas vim da loja com um piercing jeitoso e que já namorei em frente ao espelho vezes e vezes sem conta, num espaço de 4 horas. 

Vá, agora vou candidatar-me a empregos. O LinkedIn aguarda-me.