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um gajo & cenas

um gajo & cenas

A propósito da Eurovisão...


André Valente

12.05.18

Portugal está, uma vez mais, nas bocas do mundo. Entre o Euro2016, a visita Papal, a Eurovisão2017, as duas edições do WebSummit, a Madonna e, agora, a organização do ESC em 2018, Portugal está a ficar pequeno demais para a quantidade de interessados em visitar o outrora ignorado cantinho Oeste da Europa. Afinal, estar nos subúrbios do velho continente não é tão mau quanto o pintam.

 

Até ao momento, as minhas observações acerca da edição de 2018 são as seguintes:

  • As apresentadoras têm sido elogiadas pela sua beleza (e são, de facto, belíssimas!), por isso, mulheres portuguesas, expandam esses horizontes que os solteirões de Hollywood e os sugar daddies dos países nórdicos, não tardam, estão por terras lusitanas em busca de sangue latino.
  • A Catarina Furtado é um pouco cringe (e estou a ser simpático...), a Sílvia desempenha o seu papel, a Daniela arrasa com o seu look e sotaque flawless, e a Filomena é a alma do espectáculo. Epá, Cautela, sou teu fã!!
  • Os britânicos sentiram-se ofendidos com o Planet Portugal, ficaram com os pelinhos do braços eriçados. Não compreendo esta dualidade de critérios. E eu que pensava que o British Humor era expansível além-fronteiras? 
  • O Pedro Granger foi um péssimo host das press conferences, enquanto o Penim foi a surpresa mais agradável do lote de apresentadores escolhidos pela RTP no âmbito do ESC.
  • O evento foi muito bem organizado e elogiado por várias entidades internacionais. Importante referir, também, que foi das Eurovisões menos dispendiosas até hoje produzidas. Um balde de água gelada para quem muito duvidou da capacidade de Portugal para acolher um projecto destas dimensões. Se bem que depois do Euro2004, qualquer evento é organizado com uma perna às costas. 

 

A Bulgária - Equinox - é, muito provavelmente a minha favorita à vitória (a letra, o instrumental, as vozes, as harmonias, epá, extraordinário!), juntamente com a Alemanha, Irlanda, Estónia, Albânia, Espanha e Portugal. Um Top 7 jeitoso. Fecharia o Top 10 com a Finlândia, Austrália e Itália. É quase certo que se Portugal for coroado novamente com o título de vencedor da Eurovisão - let's pull an Ireland, shall we? - a RTP entraria num frenesim nervoso agudo. Não há bling-bling suficiente para arrendar a Altice Arena (eu tinha vergonha deste nome, é tão feio que fico com espasmos palpebrais, bendito Pavilhão Atlântico) durante mais 6 semanas no próximo ano.

A Austrália teve uma live performance muito fraquinha, infelizmente, porque eu gosto da vibe optimista e uplifting de We Got Love. A Eleni, do Chipre, dá um espectáculo do caraças, mas vocalmente não se pode esticar muito, ou sai guincho. A Netta canta bem, sem dúvida uma canção muito overrated e, como seria de esperar, a actuação ao vivo deixa um pouco a desejar depois de todo o sucesso que o vídeo teve. 

 

Resumindo: quem vai ganhar é a Lituânia, para surpresa de todos os fãs eurovisivos, e vemo-nos em Vilnius em 2019; a Saara Alto ficará em segundo, como acontece sempre que participa num concurso do género; e Espanha, em resposta ao ano passado, não vai atribuir pontos nenhuns a Portugal, porque há um ano atrás não demos nem um pontito ao Manel Navarro e ao seu magnífico desafinanço.